Consumo de electricidade por uso final no sector residencial
Fonte: DGE, 2004
Da análise do gráfico anterior pode-se observar que os electrodomésticos representam o maior peso (43%) na factura energética dos consumidores residenciais portugueses, por isso devem ser uma das prioridades para a redução dos custos associados ao consumo de electricidade.
Em seguida, a climatização ambiente (17%) e a iluminação (12%) devem ser prioridades na concepção do desenho de soluções construtivas, de sistemas de climatização, a par ou não com as soluções para o aquecimento de águas sanitárias, e da escolha dos dispositivos de iluminação.
Custos anuais associados ao consumo de electricidade
O Total do custo anual associado ao consumo de electricidade é de 552€ com a tarifa simples*.Estes valores foram estimados com base no consumo médio das Ecofamílias, de 418 kWh/mês**.
As Ecofamílias que têm contadores Bi-horários apresentam no relatório em média um gasto inferior de 10€/mês**.
* Valores anuais calculados com base no preço da tarifa simples de 0,11€/kWh, fonte: EDP, 2007
** Programa EcoFamílias – Relatório de progresso, Quercus, 2006
O projecto das vivendas apresenta uma redução de 50% em necessidades globais de energia para climatização em relação à média das Ecofamílias*.
* Programa EcoFamílias – Relatório de progresso, Quercus, 2006
Na verificação regulamentar do RCCTE (Dec.-Lei n.º 80/2006) ambas as moradias conseguem superar os limites estipulados para as Necessidades Globais de Aquecimento e Arrefecimento.
Na vivenda 1 os valores das Necessidades Nominais de Energia para a situação de Inverno são Nic/Ni=0,36 e para o Verão Nvc/Nv=0,44
Na vivenda 2 para a situação de Inverno as Necessidades Nominais de Energia para o Inverno são Nic/Ni=0,28 e para o Verão Nvc/Nv=0,45
Para se atingir uma redução nas necessidades de energia para climatização em primeiro lugar é necessário considerar alguns dos aspectos relativos ao RCCTE (Dec.-Lei n.º 80/2006), nomeadamente os seguintes:
- Coeficientes de transmissão térmica da envolvente do edifício
- Isolamento das pontes térmicas para o exterior
- Sombreamento dos vãos envidraçados
- Factor solar dos vãos envidraçados
- Valores de renovações de ar por hora do espaço interior ou a conformidade com a norma NP 1037-1
A transmissão de energia entre o exterior e o interior é um factor preponderante no desempenho energético do edifício seja qual for o sistema de climatização.
A primeira decisão a tomar é a escolha das soluções construtivas da envolvente exterior mais adequadas ao clima local.
As soluções possíveis para as Paredes Exteriores são:
Isolamento Térmico de paredes simples:
- com revestimento aderido (ETICS)
- com fachada ventilada – revestimento independente contínuo ou descontínuo com fixação de suportes pontuais
Isolamento Térmico de paredes duplas:
- isolante preenchendo totalmente a caixa de ar
- isolante preenchendo parcialmente a caixa de ar
Os valores apresentados equivalem a um isolamento com 6 cm de espessura para todas as soluções retirados de tabelas do LNEC*.
* Coeficientes de transmissão térmica de elementos da envolvente dos edifícios, Santos, Pina e Matias Luís, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 2006
- O isolamento térmico de paredes simples pelo exterior evita as pontes térmicas, permite aproveitar a inércia térmica das paredes bastante necessária no Verão para manter uma temperatura fresca no interior e é uma solução menos dispendiosa
- O isolamento térmico de paredes duplas aproveita apenas parte da inércia térmica das paredes, obriga à correcção das pontes térmicas necessitando de uma maior área de isolamento, aumenta a espessura das paredes e o peso na estrutura e nas fundações, sendo por estas razões uma solução mais dispendiosa
- É recomendável a manutenção de um espaço de ar francamente ventilado nas paredes duplas, através de pequenos furos de ventilação e drenagem
- Todas estas soluções construtivas, com isolamento de 6 cm de espessura, cumprem os coeficientes de referência do RCCTE para todas as zonas climáticas, à excepção da parede simples com isolamento de cortiça para a zona I3
- A Alvenaria de Adobe, que não se encontra referenciada nas soluções do LNEC, é uma solução de parede simples que com isolamento pelo exterior tem o melhor desempenho de todas as soluções, para além de que beneficia de uma grande inércia térmica e é uma solução 25% menos dispendiosa do que as outras
- O XPS (Poliestireno Expandido Extrudido) é o isolamento com melhor desempenho, no entanto tem um custo de mais de 50% que o ICB (Aglomerado de Cortiça Expandida) e a exposição aos raios ultravioletas podem provocar a sua degradação
- A cortiça mais económica e mais ecológica, com 8 cm de espessura atinge um melhor desempenho do que os apresentados para os outros isolamentos
- A MW (Lã mineral) é um material ecológico, com um desempenho idêntico ao EPS (Poliestireno Expandido Moldado) e ao PUR (Poliestireno Expandido Extrudido), é bastante resistente e durável, no entanto a exposição à humidade pode diminuir o seu desempenho

















































